quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Casamento - Adélia Prado


Imagem da Net

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Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,

mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinho na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa, vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.

Adélia Prado

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5 comentários:

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Amiga.

Adélia Prado sem diminuir o seu altar de mulher, fala de um amor simples e de um gesto pleno.
Amor precisa de cuidado,
precisa de "carinhar"...

Lindo poema.

Linda semana para ti.

Anita disse...

Não perguntes a felicidade quem ela é, nem de onde veio. Abre-lhe a porta afim de que ela entre e feche-a, bem afim de que não fuja.

Amiga um dia maravilhoso.
Beijinhos.
Fica bem. Fica com Deus.
Anita (amor fraternal)

Hosana Lemos disse...

me falta o peixe, e me falta o noivo também!
:P

neli araujo disse...

Queridos amigos:

Aluisio

Anita

Hosana

Obrigada por sua presença aqui no blog!

Agradeço as palavras e o carinho.

beijinhos e bom descanso neste Carnaval!

Neli

carmen disse...

Quanta cumplicidade... lindo!
bjs